Quando meu pai nasceu o mundo foi à procura de seu par, que veio a ser minha mãe.
Totalmente dependente dela não poderia ter passado pelo mundo sem sua cara metade, companheira inseparável.
Nasceu longe dela, meu pai, mas o mundo deu um jeitinho para que ele atravessasse o país e encontrasse com ela.

Claramente nasceu no lugar e na família errada, e quando encontrou sua mulher, sabia que era sua, adotou tudo o que era dela, a cidade que também chamava de sua, a família, e os seus costumes, perdendo até o sotaque regional.

O cotidiano? Aquele que ‘todo dia ela faz sempre tudo igual’ como na música, era bom , e valia ser repetido todo dia, todo mês, por anos.
Trocou a rapadura , que nunca foi sua preferência pela macarronada do domingo, o girimum virou abóbora , mas o cheiro não foi substituido pelo beijo.
Ah que pena! Faltou o beijo que não aprendeu, e ela queria tanto aquele beijo, o ‘eu te amo ‘ que não conseguiu dizer, mas o amor estava lá, mas precisava ser ouvido por ela.

Faltaram as palavras, os gestos que sempre deixaram saudade antes mesmo da sua partida.
A companheira? Sempre reclamou, até o fim, nao ter ouvido o que não pôde ser pronunciado….

Daisy Gouveia


Daisy Gouveia

Daisy Gouveia

Daisy Gouveia é escritora, influenciadora, host do podcast "Leiture-se". Usa as redes sociais para incentivar a leitura e dá dicas frequentes de como adquirir e manter o hábito.

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